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A psicanálise e os sonhos

Desde os tempos mais remotos, os sonhos são objeto de interesse dos povos. Por ser uma construção onírica repleta de imagens, personagens, cenários, histórias, emoções e sentimentos, as religiões, a filosofia, as ciências da saúde, as psicologias e até mesmo a astrologia se debruçam sobre seus mistérios para desvendá-los.

Algumas pessoas, ainda hoje, tomam os sonhos pela via da superstição colocando-os como inspiração divina ou demoníaca com finalidades premonitórias. Outras pessoas atribuem aos sonhos estritamente funções biológicas, atividades psíquicas e estímulos sensoriais carentes de sentido.

A psicanálise, contudo, sem desconsiderar as funções biológicas, os estímulos sensoriais e ainda os estímulos ambientais atribuem aos sonhos uma significação e um sentido que devem ser interpretados com possibilidade de tratamento terapêutico.

Freud, o criador da psicanálise, procurou compreender os mecanismos que participam da elaboração dos sonhos e a partir destes desenvolveu uma técnica com o propósito de tratar a neurose. Em 1899 entregou à sociedade psicanalítica o seu livro “Interpretação dos sonhos” do qual se baseia grande parte da teoria psicanalítica.

Para ele, é relevante que o psicanalista compreenda o funcionamento do psiquismo na vigília e no estado onírico e se utilize dos sonhos como material de trabalho analítico.

O fenômeno onírico amplifica até o gigantesco todas as sensações somáticas e constrói uma história de forma a projetar para o exterior os processos interiores do sonhador. Forças inconscientes se agregam aos estímulos residuais da vida diurna e somados aos estímulos do ambiente facilita a construção de cenas, cenários e história. Para Freud o sonho, apesar de ter como característica universal a presença do personagem principal como aquele que está sonhando, cada sonho é muito específico e sua interpretação só se aplica à vida do sonhador.

Dessa forma, cada sonho promove naquele que sonhou riqueza de lembranças que pareceriam desinteressantes ou insensatas a este se não tivessem sido relatadas em análise. Ao relatar, o sonhador associa o conteúdo do sonho com outras situações da sua vida, inconscientes, que passariam despercebidas e que de fato possuem muita importância para o seu tratamento.

Freud nos chama a atenção para participação dos afetos nos sonhos. Ele exemplifica: “Quando sonhamos com assaltantes e sentimos medo, os assaltantes são imaginários, mas o medo é real”.  Por outro lado, muitos sonhos que nos mostram situação perigosa, espantosa ou repulsiva nem sempre nos aterrorizam e ainda a situação no sonho pode até nos parecer inofensivas. Ambas os tipos de sonhos são passíveis de interpretação e poderão facilitar o diagnóstico para o tratamento. Para isso o analista deverá decompor o conteúdo, os afetos, as representações e significações do sonho e investigar as afecções patólogicas que porventura se apresentam. Existem os sonhos traumáticos, em que o trauma é repetido incontáveis vezes torturando o sonhador. Mas os sonhos, na maioria das vezes são carregados de desejos. Neste caso levam à consciência os desejos inconscientes e representa-os como satisfeitos, já que vividos no sonho. Assim, sonhar com as pessoas queridas que se foram é uma forma de satisfazer o desejo de tê-las de volta. Sonhar é viver.